Quinta-feira, 31 de Outubro de 2013

Laurinda Luís Alage

Meu pai sempre foi trabalhador e minha mãe negociante. Comecei a vender tinha 15 anos, enquanto ainda estudava. Depois perdi a vaga.
Quem me ensinou a fazer o negocio foi minha chara, irmã de meu pai. Ela ensinou me o que e ganhar o pão de cada dia.

Nunca fui ao lar, tenho 3 filhos, sou pai e mãe deles, sustento-os sozinha. Eu aconselho meus filhos a estudarem para poderem ter um bom emprego e não passarem pelas dificuldades que eu passei.

A grande tristeza da minha vida foi quando engravidei do meu primeiro filho e meu marido me abandonou, foi difícil. Como ia explicar ao meu filho que ele não tinha pai? Criar ele sozinho? Mas consegui. Foi preciso muita coragem. Mas consegui. Para ele hoje completar 25 anos, já ser pai, é porque consegui. E meu orgulho e saber que criei bem os meus filhos.

Vendo neste passeio, em cima deste saco há 22 anos.

Para ser uma boa mamana e necessário ser boa pessoa. Tanto para os clientes, filhos e família.

Devo tudo aos meus pais. São o meu amparo, estão sempre aqui para mim. Até hoje.

publicado por mamanas às 09:34
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Ester Sofia

 Eu comecei a vender no mercado desde criança. Minha mãe me nasceu aqui no mercado. Praticamente cresci aqui neste mercado. Foi assim que aprendi a vender.

Aos 10 anos já cuidava da banca dela. Alias na altura, neste mercado nem havia bancas, vendíamos em cima do saco. A minha mãe não tinha marido, éramos 3 irmãos.

Em 1978 havia carência de comida. Foi uma época difícil. Tínhamos que fazer bicha para conseguir chá. Mas a minha mãe através da banca conseguiu educar-nos.

Hoje tenho 7 filhos. E continuo aqui neste mercado. E por ter boa relação com as minhas colegas, em 2008 fui nomeada como chefe da comissão de vendedores e ajudo a resolver algumas dificuldades que surgem no mercado. Construi sozinha a minha casa.

Não foi fácil cuidar de 7 filhos com pouca diferença de idade, e ainda vir ao mercado todos os dias. Um dos momentos mais difíceis para mim foi quando fiquei doente, andei hospitalizada. E descobriram que sou diabética. Foi um ano difícil.

Mas hoje estou aqui e continuo a batalhar, cuido da minha banca e ainda trabalho na comissão para ajudar as outras mamanas. Sinto me realizada.

 

publicado por mamanas às 09:21
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Julieta Jeremias

Eu nem sei ao certo minha idade. Mas acho que tenho por volta de 70 anos.

Fiz a escola primária mas não com muito sucesso. Naqueles tempos os professores eram muito severos e davam reguadas nos alunos.
Dai comecei a ir a machamba com minha mãe.

Meu marido foi o único homem com quem namorei e me casou. Depois de se casar ele foi a África do sul para trabalhar. Estamos juntos até hoje. Tive 8 filhos. Dos quais 4 já faleceram.

 Neste momento cuido da minha neta que tem apenas nove meses, que a mãe faleceu. Tenho mais uma neta a viver comigo. Os outros filhos estão no lar e trabalham. Um está desempregado.

Nem tenho as contas de quanto tempo faz que vendo aqui, mas presumo que seja mais de 25 anos. Meu marido conquistou me, eu aqui.

Com meu suor consegui comprar terreno e ajudar a construir uma casa no bairro polana Caniço. Meus filhos também foram a escola com a minha ajuda e a do meu marido que hoje é reformado.

Eu ainda estou a trabalhar, não por capricho, mas sim porque gosto, e por não querer envelhecer.

Vendo produtos naturais para doenças e outros afins.
Me considero realizada, apesar de todo sofrimento sou uma pessoa animada.

 

publicado por mamanas às 09:13
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Terça-feira, 29 de Outubro de 2013

Vote na sua Mamana preferida

publicado por mamanas às 16:18
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Segunda-feira, 28 de Outubro de 2013

Ester Azarias Chilengue

Comecei a vender aos 17 anos. Aprendi com a minha mãe. O meu pai faleceu e assim tivemos que ajudar a minha mãe a sustentar a casa.

Éramos uma família numerosa, de 9 irmãos. Foi assim que deixei de estudar. Depois casei-me. Ele me lobolou, não chegamos a fazer o casamento oficial. Assim tive dois filhos. O mais velho está na nona classe e a mais pequena na terceira.

O meu casamento foi conturbado, pois meu marido era muito mulherengo. Tinha dias que nem sequer dormia em casa. Acabou ficando com outra mulher. Hoje sustento meus filhos sozinha. Com base nos meu trabalho. Mas não é fácil. Custa-me imenso eles pedirem algo e eu não ter condições para dar.

Consegui ter um terreno e tenho uma quinta onde crio gados. Meu sonho é sair do mercado e começar a criar as galinhas em casa, para estar perto dos meus filhos.

 

publicado por mamanas às 15:51
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Vote na sua Mamana preferida

 Já podes começar a votar na tua Mamana preferida. Vê aqui o código de todas as mamanas representantes dos mercados.

Para votares basta enviares uma SMS com o código da tua candidata preferida para o 84 120 10.

Vodacom Mamanas M-Pesa,
Beleza Moçambicana

publicado por mamanas às 13:06
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O que as pessoas dizem sobre as Mamanas

publicado por mamanas às 12:26
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Sexta-feira, 25 de Outubro de 2013

Maria Francisco Chilaúle

Sou trabalhadora aqui neste mercado. Primeiro comecei a trabalhar na cooperativa dos alfaiates de Maputo, depois fui vender no Xipamanine por 13 anos. Em 2000 vim para aqui, comprei este meu espaço onde faço chá, matabicho e almoço.

Casei-me em 1969. Tive 6 filhos. O meu marido foi para tropa em 1973. Quando voltou, começou a trabalhar. Depois faleceu. Fiquei eu sozinha a cuidar dos meus filhos. Quatro deles estão a trabalhar, e dois estão a estudar. A que vive comigo está a tirar curso de Direito num instituto que eu estou a pagar. Não foi fácil educar os meus filhos, fazer todos estudarem e seguirem um bom caminho. Mas graças ao meu trabalho consegui encaminhá-los para estudar.

Um dos momentos mais difíceis da minha vida foi quando fiquei doente, tive um mioma e passei por uma cirurgia em que tive que ficar um ano sem trabalhar. Mas mesmo assim coloquei alguém para cuidar do negócio aqui no mercado, e vinha sentar aqui porque não aguentava ficar em casa.

Considero me uma verdadeira mamana, porque trabalho para a minha família, educo os meus filhos e não só, cuido e trato bem os meus clientes. Eles conhecem a barraca da vovó Maria, porque sabem que aqui vão ser bem servidos e também porque eu cozinho bem.

publicado por mamanas às 17:26
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Rosa Maria Manhique

Nasci em 1955. Frequentei a escola primária até a terceira classe, do tempo colonial. Naquela época ia a machamba. Naquele tempo meu pai não queria que a mulher estudasse. Só aprender a ir a machamba, "cartar" água, cozinhar, cuidar do lar.

 


Depois disso comecei a trabalhar como empregada doméstica. Casei-me e tive a minha primeira filha. Depois entrei no mercado. Minha banca comecei a vender verduras, depois cresci, passei a vender feijão, farinha. Até que consegui ter este espaço (uma esplanada), onde faço e vendo almoço.

Tenho sete filhos. Meu marido faleceu. Assim sustento a minha família toda. Filhos e netos. Tenho dois filhos que moram na áfrica do sul, deixaram os netos comigo que eu sustento, eles não visitam, não mandam cartas. Uma filha trabalha, outro está desempregado. Uma está a fazer curso de enfermagem. Outra está na 9ª classe.

Eu estou a cursar o 2º ano de teologia. Saio do mercado vou a escola. Porque sou uma mulher religiosa que quer aprender e entender melhor o que Deus quer, o que diz a bíblia. E não me basear no que os outros falam. Aprender não tem idade.

A minha mãe ensinou-me que a mulher deve batalhar, trabalhar e se sacrificar para cuidar da sua família e não depender do marido. Porque o marido as vezes dá as vezes não dá. A mulher não deve cruzar os braços e sim ir a luta. Ela foi um exemplo e é esse exemplo que dou as minhas filhas.

publicado por mamanas às 11:19
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Quinta-feira, 24 de Outubro de 2013

Vitória Filipe

Tenho 39 anos. Tenho quatro filhos. O mais velho com 23 e a mais nova de 2 anos. Casei me muito nova. Trabalho com o meu marido, ele é alfaiate e eu costureira. Aprendi a costurar por necessidade.


Há 15 anos que vivo desta máquina. Viemos de Inhambane tentar aqui a vida. Assim arranjamos este espaço e assim estamos a tentar arranjar a vida. Trabalho com a minha filha de dois anos no colo, porque não tenho onde a deixar.

Um dos momentos mais difícil para nós foi quando eu nasci a minha última filha. Foi cesariana. E demorei muito a recuperar. Tive que ficar um ano sem trabalhar. Foram tempos de muita dificuldade.

Com o fruto deste trabalho conseguimos adquirir um terreno e construir uma casa de 2 quartos e sala. Também tentamos colocar meus filhos a estudar mas os mais velhos não terminaram, porque não quiseram.

O meu sonho é sair desta miséria. E quem sabe ganhar uma maquina de bordar.

publicado por mamanas às 14:38
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